• Mateus Lamari

Muleta, Bengala, Andador e Cadeira de Rodas: Saiba Quando Usar Cada Um dos Auxiliares de Marcha

Quando se fala sobre o uso de andador, muleta e bengala, a primeira imagem que vem à mente é de uma pessoa idosa utilizando um desses auxiliares de mobilidade, não é?


No entanto, todos estão sujeitos a precisarmos de acessórios assim em algum momento de nossas vidas.


Estudos demonstram que estes dispositivos aumentam a confiança e o sentimento de segurança nos idosos. Além disso, a carga nas articulações do membro inferior pode ser reduzida, aliviando a dor articular e compensando fraquezas ou lesões.


Estima-se que cerca de 6,1 milhões de adultos usam um destes dispositivos nos Estados unidos. De todos os adultos norte-americanos com mais de 65 anos, cerca de 10% utiliza muletas e 4,6% utiliza andadores. Cerca de 30% dos pacientes adquirem esses dispositivos por meio de um profissional de saúde e somente 20% recebeu educação adequada antes de utilizá-los.

Esses equipamentos são muito recomendados especialmente para quem sofre com doenças nos ossos e articulações, quem passou por algum tipo de acidente e ainda está recuperando os movimentos ou idosos que têm dificuldades para se locomover e manter o equilíbrio. Mas você sabe em qual momento cada um deles é indicado?


Neste post, você vai descobrir não apenas isso, mas também as funções, regulagem e aplicabilidades desses suportes para marchas.


AS VANTAGENS DOS AUXILIARES DE MARCHA

É normal, com o passar dos anos, que as pessoas fiquem com a mobilidade reduzida. Além disso, algumas doenças próprias da idade fazem com que os idosos tenham mais chances de queda.


Para ambos os casos, muitas vezes é indicado o uso de auxiliares de marcha, como o andador, muleta e bengala. Eles trazem inúmeros benefícios para quem se encontra condições como essas, entre eles podemos destacar:


· Promovem a melhora do equilíbrio;

· Ajudam no ganho de confiança para retorno da marcha;

· Reduzem a descarga de peso nas articulações dos membros inferiores, tendo em vista o auxílio com os membros superiores

· Ajudam na redução das dores em membros inferiores, devido a redução das cargas locais;

· Preservar a autonomia durante a execução de atividades rotineiras.

Confira os principais motivos que levam à necessidade de aquisição de aparelhos que auxiliam a marcha:


· períodos de reabilitação;

· pós-cirurgia;

· perda do equilíbrio;

· problemas de locomoção;

· recuperação de acidente;

· necessidade de apoio.


Andador

O andador é recomendado para quem precisa de um apoio maior que o fornecido por uma muleta ou bengala, tais como problemas no quadril ou nos joelhos. Por ter quatro pontos de sustentação, ele traz mais equilíbrio e maior confiança ao caminhar. Pode reduzir entre 50 e 100% da carga no membro afetado.


Com o andador é possível retirar todo o peso dos membros inferiores — ou, pelo menos, grande parte dele — auxiliando no processo de recuperação e na diminuição da dor.


Um dos poucos pontos negativos do uso do andador é que, ao contrário dos outros auxiliares de marcha, ele não pode ser utilizado para subir ou descer escadas.


Existem, basicamente, três tipos de andador:


· tradicional: O andador tradicional é o andador mais estável. Porém isto resulta em um caminhar lento desde que o paciente tem que elevar o andador completamente do chão a cada passo. Isto pode ser um desafio para idosos com pouca força nos membros superiores.


· com rodas frontais: Andadores com rodas dianteiras são melhores para pacientes com dificuldade para levantar um andador padrão ou que caminham rápido. As rodas permitem ao paciente manter um padrão de marcha mais perto do normal do que com um andador tradicional, apesar de as rodas reduzirem a estabilidade.


· com quatro rodas: Os andadores de quatro rodas são úteis para pacientes mais ativos que não precisariam de andador para apoiar o peso. Apesar de ser fácil empurrar estes dispositivos, eles não são apropriados para pacientes com problemas cognitivos ou perda de equilíbrio significativos, tendo em vista que poderiam rolar inesperadamente e resultar em queda. É comum que estes andadores venham com assentos, úteis para alguns pacientes que necessitam parar com frequência para sentar e descansar.


· Andador com apoio braquial: para mãos e punhos não funcionais.


Muletas

A muleta é indicada para casos em que é preciso evitar peso sobre uma das pernas ou pés, tais como em casos de fraturas ou cirurgias.


Apesar de facilitar bastante a locomoção durante o período de recuperação, a muleta exige muito esforço da parte superior do corpo, além de certo equilíbrio, com gasto energético considerável. Por conta disso, antes de optar por esse auxiliar de marcha, é preciso verificar as condições físicas gerais e a idade de quem vai utilizá-lo.


A fim de facilitar seu uso, uma opção é a muleta feita de alumínio, ao invés de madeira ou outro material. Isso porque essa matéria-prima é mais leve, minimizando a força necessária para a movimentação.


Além da diferença de materiais, existem dois modelos de muleta:


· Axilares: têm como ponto de apoio uma base que fica sob as axilas; O apoio incorreto destas muletas na axila pode causar compressões nervosas ou de vasos.


· Antebraço ou canadenses (Lofstrand): geralmente menos incômodas que as auxiliares, já que seu ponto de apoio fica no antebraço, mais leves, menores (facilitando guardá-las), mas por outro lado precisam de mais equilíbrio e força dos membros superiores.

Orientações quanto ao uso de muletas:

– O cotovelo deve estar flexionado entre 20º a 30°, com os ombros nivelados.

– O apoio no solo deve ser feito de maneira que a distância entre a muleta e o pé seja de aproximadamente 15 a 20 cm, ântero-lateral aos pés.

– Nas muletas axilares - o bloco almofadado superior deve ser apoiado no gradeado costal, de 2 a 3 centímetros abaixo da prega axilar, evitando-se a compressão do plexo braquial.

– Na muleta de Lofstrand - a braçadeira deve ser posicionada no 1/3 proximal do antebraço, em torno de 3 centímetros abaixo do cotovelo. A empunhadura manual deve estar posicionada de modo a manter o cotovelo flexionado entre 20º e 30°, em geral posicionada na altura do trocânter maior do fêmur.


Bengalas

O mais leve dos auxiliares de marcha, a bengala é recomendada para pessoas que sofrem com algum problema de instabilidade ou equilíbrio leve, além de casos de fraqueza no tronco ou pernas, lesões leves nos membros inferiores, ou dores e fornecem informação tátil ao usuário a respeito do piso para que este aumente o equilíbrio. Pode reduzir de 20 a 25% o peso descarregado em um membro. Para descargas superiores a estes valores, torna-se instável e, portanto, pouco segura.


É necessário entender que este efeito irá variar conforme o peso da pessoa, a anatomia do quadril, a força aplicada na bengala pelo indivíduo.


Evite as bengalas na fase inicial de uma pessoa com Acidente Vascular Encefálico, comumente chamado de derrame ou AVC, isso pula etapas da reabilitação da marcha, e cria um vínculo entre paciente e bengala, dificultando retirá-la posteriormente.


Os tipos de bengala existentes são:


· tradicional: reta, feita de madeira ou alumínio, tem baixo custo para aquisição; se for feita de madeira precisa ser ajustada a altura do paciente.


· com dobra ou offset: indicada para quem precisa de um apoio de peso maior;


· com múltiplos apoios: com três ou quatro apoios, esse modelo de bengala permite uma aplicação de peso maior, além de ficar em pé sozinha, liberando as mãos para outras atividades. A principal desvantagem é a necessidade de todos os apoios tocarem o chão simultaneamente.

Diferenças nos cabos das bengalas: -Empunhadura em C: mais barata, porém menos confortável. Nesse tipo de bengala o vetor da força passa por trás da coluna da bengala, com maior sobrecarga para o punho.

- Empunhadura funcional: respeita a preensão e o ângulo natural do punho. Nesse caso o vetor de força passa pela coluna da bengala, proporcionando melhor apoio.

- Empunhadura feita sob molde: permite adaptação da pega para pessoas com comprometimento de mãos, como as pessoas com artrite reumatóide.

- Cabos com pegas de metal devem ser usados com precaução pelo risco de escorregar no caso de transpiração excessiva.


Cadeira de Rodas

A cadeira de rodas deve garantir conforto, segurança e posicionamento adequado, além de proporcionar melhor funcionalidade e maior independência possível, possibilitando-lhe maiores oportunidades para estudem, trabalhem, participem de atividades culturais e acessem serviços.

Uma cadeira de rodas apropriada é aquela que se configura como a opção correta para o usuário, pois atende às suas demandas, levando em conta os aspectos funcionais do usuário, como força, equilíbrio, coordenação e habilidades cognitivas, garantindo inclusive o suporte postural necessário, em conformidade com o seu ambiente, devendo ainda possuir local de referência para prestar manutenção e consertos necessários. Também é de fundamental relevância o entendimento sobre o contexto - social, ambiental, econômico e temporal – do indivíduo que fará uso da cadeira de rodas.

Os principais modelos de cadeiras de rodas disponíveis e suas características

serão apresentados a seguir:

Cadeiras de rodas com estruturas em X: São cadeiras de rodas que possuem um sistema de fechamento em X, o que facilita o armazenamento e o transporte da cadeira em porta-malas. Existem cadeiras com apenas um X e em duplo X, a única diferença é que a duplo X suporta pesos maiores. Normalmente possuem apoios de pés rebatíveis, o que em alguns casos facilitam a transferência. Este tipo de estrutura deixa a cadeira mais pesada o que dificulta a propulsão para pacientes com pouca força muscular em membros superiores e também necessitam de maior manutenção por terem muitos eixos e parafusos. Indicada para idosos que utilizam para longas distâncias, tetraplegias que não possuem bom controle de tronco, algumas paraplegias, pessoas cuja propulsão é feita por cuidadores.

Cadeiras de rodas com estrutura em monobloco: São cadeiras de rodas que possuem uma estrutura em bloco, que permite somente o abaixamento do encosto no assento, porém é uma cadeira mais resistente e que permite menor manutenção. São cadeiras mais leves de serem propulsionadas, possuem apoios de pés em plataforma, o que não permite a retirada. Indicada para pessoas com perda de autonomia e/ou alteração grave para marcha, que mantenham controle de tronco e mantenham habilidade e força capazes de impulsioná-la de forma independente. Por ser mais leve, portátil e com mecânica mais favorável à propulsão e manobras, permite maior independência do usuário na transferência e transporte, menor gasto energético para conduzi-la e prevenção de lesões por sobrecarga nos membros superiores.

Cadeira de rodas motorizada: São cadeiras de rodas que possuem um sistema de propulsão motorizada e controle através de joystick. São cadeiras normalmente pesadas, mas resistentes a peso. Estas cadeiras exigem um somatório de fatores para serem prescritas. Na avaliação devem ser consideradas, por exemplo, se as dimensões e a configuração do ambiente domiciliar permitem a circulação e o giro da cadeira e ainda se o ambiente comunitário e vizinhança permite certa liberdade de circulação.


São indicadas para pacientes sem prognóstico funcional para propulsão manual, que apresentem ausência de controle de tronco, diminuição da força muscular ou fatigabilidade anormal de membros superiores que impossibilite a tração manual; ausência de membros superiores; rigidez articular que impeça a realização ativa de propulsão em cadeira de rodas; comprometimento cardiorrespiratório grave que impossibilite a condução da cadeira de rodas convencional; e para os casos em que há indicação, boa função cognitiva e condições ambientais que possibilitem o uso adequado do equipamento.


QUAL O MELHOR TIPO DE DISPOSITIVO AUXILIAR DE MARCHA E COMO USÁ-LOS?

O uso de andador, muleta, bengala e cadeira de rodas pode até ser constrangedor no início, mas esses equipamentos são essenciais para a recuperação em casos de acidentes, cirurgias ou doenças, bem como para trazer mais qualidade de vida e autonomia.


Nenhum dispositivo será o ideal para todas as situações. A seleção do dispositivo mais adequado depende da força do paciente, resistência, equilíbrio, função mental, funcionalidade e questões do local onde o indivíduo movimenta-se. As características das doenças afetando o membro inferior ou superior frequentemente determinam qual o melhor dispositivo.

Estes dispositivos são ferramentas indispensáveis para a assistência em reabilitação. No entanto, para serem efetivos, dependem da correta prescrição, confecção, rotina de uso e acompanhamento. O encadeamento destas ações constitui um processo complexo e altamente técnico que, caso não seja seguido com rigor, pode levar à ineficácia do aparelho, piora do quadro da pessoa com deficiência, perda de procedimentos cirúrgicos e até provocar lesões graves e irreversíveis.


É importante esta orientação e o acompanhamento de um profissional especializado para avaliação do uso adequado e das condições do aparelho, bem como adaptação e ajustes do paciente.


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