• Mateus Lamari

Disautonomia na Hipermobilidade Articular e SED

Disautonomia ou disfunção autonômica é uma condição em que o sistema nervoso autônomo (SNA) não funciona corretamente.


Uma série de doenças podem apresentar Disautonomia. Pode afetar o funcionamento do coração, bexiga, intestinos, glândulas sudoríparas, pupilas, vasos sanguíneos, entre outros.

É caracterizada pela hiperatividade do sistema nervoso simpático e hipoatividade do sistema nervoso parassimpático, sendo associada a muitas doenças. Oscilando desde pequenos episódios transitórios até uma doença neurodegenerativa progressiva.


Além dos sintomas não serem tão evidentes, eles podem ser vagos e intermitentes, variando inclusive de intensidade em diferentes dias, sendo assim, de difícil diagnóstico e compreensão. Pacientes são frequentemente julgados por seus sintomas – especialmente no âmbito psiquiátrico – e sentem-se vulneráveis, optando por velar sua condição.



O diagnóstico é alcançado através de testes funcionais do SNA, com foco no sistema de órgãos afetado, e predominantemente baseado na obtenção de uma história pessoal e familiar detalhada dos sintomas, circunstâncias provocadoras e queixas associadas.


Testes clínicos simples podem fornecer suporte para o diagnóstico e outros testes podem ser úteis para excluir outras doenças que podem se apresentar de maneira semelhante.

Testes para o diagnóstico: Teste de inclinação passiva (“tilt table test”), manobra de Valsalva, e teste da frequência cardíaca.


Também deve ser considerada a possibilidade de os sintomas serem causados ​​por medicamentos e suplementos.


Há um reconhecimento crescente de uma associação entre disfunção autonômica e Síndrome de Ehlers-Danlos Hipermóvel (SEDh), comprometendo a qualidade de vida.

O individuo pode sofrer de alguns dos sintomas abaixo:

  • Fadiga extrema;

  • Taquicardia;

  • Tontura;

  • Dor de cabeça;

  • Dormência;

  • Comprometimento da função motora;

  • Visão turva;

  • Boca seca;

  • Pouca tolerância a exercícios;

  • Distúrbios gastrointestinais;

  • Alterações da pressão arterial;

  • Impotência (homens);

  • Desmaios;

  • Crises de ansiedade;

  • · Queixas cognitivas, concentração limitada, memória fraca;

  • · Dor no peito;

  • · Tremores;

  • · Inchaço e/ou descoloração (roxo escuro/vermelho) nas pernas depois de ficar em pé por apenas períodos de tempo relativamente curtos (por exemplo, 5 minutos);

  • Mãos e pés frios e escuros

  • Desregulação da temperatura corporal,

  • Distúrbios de sono;

  • Infarto do miocárdio indolor;

  • Intolerância ortostática. (aumento excessivo da frequência cardíaca na posição de pé);

  • Síndrome de taquicardia postural (POTS). Ex: Ao levantar da cama;

  • Parada cardiorrespiratória.

A incidência, prevalência e história natural dessas condições permanecem não quantificadas, mas observações de clínicas especializadas sugerem que elas são frequentemente vistas em SEDh . Há uma compreensão crescente de como a patologia física e fisiológica relacionada ao SEDh contribui para o desenvolvimento dessas condições.


A história clínica deve enfocar a definição dos sintomas, gatilhos, fatores modificadores, impacto na vida diária, cronicidade da doença, possíveis causas e história familiar.


Muitos dos sintomas comuns estão relacionados a mudanças na postura.


Eles ocorrem ao passar da posição deitada ou sentada para a posição em pé, ou com a manutenção da postura ereta, e são melhorados, mas nem sempre completamente aliviados ao sentar ou deitar.

As causas da disfunção autonômica cardiovascular em SEDh não são claras, mas sugerem-se:

• Pressão sanguínea baixa;

• Aumento da dilatação venosa periférica e acúmulo de sangue;

• Baixo volume de sangue circulante;

• Medicamentos com efeitos colaterais que desencadeiam ou prejudicam as respostas autonômicas;

• Autoimunidade, particularmente autoanticorpos direcionados contra receptores que desempenham um papel na regulação da frequência cardíaca e pressão arterial, e outras funções autonômicas;

• Tecido conjuntivo anormal em vasos sanguíneos dependentes com veias se distendendo excessivamente em resposta às pressões hidrostáticas comuns;

• Níveis sistêmicos excessivos de histamina. A histamina pode induzir hipotensão e taquicardia;

• Mais recentemente, ativação de mastócitos e liberação excessiva de histamina foram identificados em casos de SEDh.

Neuropatia, frouxidão do tecido conjuntivo e medicação vasoativa podem desempenhar um papel no desenvolvimento de disfunção cardiovascular em SEDh.

A história pode revelar estados que desencadeiam ou agravam os sintomas. Essas coisas incluem:


• Efeitos colaterais de medicamentos,

• Desidratação,

• Ambientes quentes,

• Exercício ou após o exercício,

• Manobras valsalva, por exemplo, levantamento de um objeto pesado, defecação,

• Após a ingestão de álcool ou cafeína,

• Depois de comer, principalmente carboidratos,

• Durante outra doença, incluindo infecção,

• Situações estressantes, por exemplo, exames de sangue, discussões, exames,

• Estímulos dolorosos,

• Alta altitude (viagens de avião, etc.),

• Após longos períodos de descanso,

• Cirurgia envolvendo anestesia geral,

• Reações alérgicas (reações à histamina).

Tratamento e controle da Disautonomia

Os tratamentos não farmacológicos incluem educação em saúde, gerenciamento do meio ambiente para reduzir a exposição aos gatilhos, melhoria da aptidão cardiovascular com exercícios individualizados e manutenção da hidratação, e devem ser oferecidos primeiro em todos os pacientes!


O principal deles é a educação sobre as causas dos sintomas e medidas físicas que podem ser usadas para controlá-los. Outras medidas não farmacológicas incluem aumento da ingestão de sal na dieta, uso de vestimentas de compressão e terapia por exercícios graduais.

Descondicionamento físico e condicionamento aeróbio deficiente são achados comuns em pacientes cronicamente indispostos com SEDh.


Uma história de início de sintomas de disfunção cardiovascular após um período prolongado de atividade física reduzida não é incomum.


A disfunção autonômica tem sido relacionada ao descondicionamento. A causa e qual é a consequência permanece em aberto para debate. O aumento da aptidão física pode neutralizar alguns sinais e sintomas. Após um programa de treinamento, a resistência gradual moderada e o treinamento de força podem diminuir a frequência cardíaca ereta, melhorar a sensibilidade barorreflexa e a variabilidade da frequência cardíaca e melhorar a qualidade de vida.


O prognóstico permanece incerto com os resultados que vão desde a resolução virtualmente completa dos sintomas até a incapacidade de longo prazo, que pode ser tão grave a ponto de afetar a educação, o emprego ou a socialização.


Uma coisa é certa, procure os profissionais especializados e com experiência no assunto. Má gestão pode causar a piora considerável do quadro, levando até a morte. Para mais informações e dúvidas, entre em contato com a Clínica Lamari.


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