• Mateus Lamari

Lesões no Ciclismo

O ciclismo é uma atividade que pode ser exercida para ganho de condicionamento físico, como atividade física ou recreativa, meio de transporte ou em nível profissional. É considerada uma modalidade de baixo risco quanto à ocorrência de lesões, porém como todo e qualquer esporte é passível dessas ocorrências.


Em termos fisiológicos, o ciclismo é uma atividade aeróbica cíclica e desenvolve o status cardiovascular dos praticantes, sendo ainda no âmbito esportivo um ótimo exercício para queima de gordura corporal e desenvolvimento de resistência muscular das pernas, em treinamentos.


O crescimento do conceito do “deixe seu carro em casa”, a criação das ciclovias nas grandes cidades e com o fechamento de locais fechados para realização de exercícios (devido a Covid-19), tem feito do ciclismo um esporte com um número cada vez maior de adeptos. Atualmente, divide-se em várias categorias: provas em estradas, em pistas, mountain bike, BMX, etc.



Mas infelizmente, nem sempre um dia de pedal é perfeito! Um dia você pode se encontrar na melhor performance da sua vida, no próximo encontra-se lutando para girar os pedais sem dor.


Existem dois tipos de lesões nesse meio, as traumáticas e as por sobrecarga.


Lesões traumáticas são comuns, e envolvem quedas e acidentes acometendo majoritariamente membros superiores, crânio, face e cervical. Cerca de 10-15% destas são graves (necessitam de remoção para serviço de atendimento terciário – por exemplo: fraturas, luxações, trauma cranioencefálico e trauma raquimedular).

Por outro lado, as lesões por sobrecarga acometem predominantemente membros inferiores e coluna. Dentre as mais comumente encontradas pode-se citar: tendinopatia patelar, síndrome patelofemoral, síndrome do trato iliotibial, tendinopatia da pata de ganso, tendinopatia do tendão calcâneo, lombalgias/cervicalgias e períneo, além de neuropatias de punho em membros superiores.


A gênese da lesão envolve preparação inadequada (ex: pré temporada insuficiente), desajuste na carga de treino e ciclo de treinamento mal planejado (ex: picos de carga), déficit de fortalecimento e desequilíbrio muscular, erro biomecânico (ex: posição na bicicleta), particularidades anatômicas do esportista (ex: assimetria de membros, displasia troclear, escoliose), movimentos e microtraumas de repetição (ex: áreas de contato como punho e períneo) e equipamento inapropriado (ex: tipo e formato do selim, capacete pesado, etc).

Assim como qualquer modalidade esportiva, uma bicicleta mal regulada para a altura e peso, e a prática acima dos limites fisiológicos podem trazer lesões.

Estudos epidemiológicos demonstram uma incidência anual altíssimas de lesão por sobrecarga dos praticantes de ciclismo, que na sua maioria, são de fácil resolução, caso acompanhada desde o início, prevenindo a evolução dos sintomas.

O foco desta discussão não será nas lesões traumáticas decorrentes de acidentes, que devem ser vistos sempre de forma individualizada, mas sim nas lesões decorrentes de sobrecarga e esforços repetitivos. Estas lesões são, via de regra, decorrentes de problemas com o condicionamento físico ou de uma postura ruim sobre a bicicleta. Por fim, discutiremos a importância das análises biomecânicas, que auxiliam no ajuste individualizado da bicicleta de acordo com as características do ciclista.


Talvez o fator mais marcante em lesões por sobrecarga seja a má administração do volume de treino ou o chamado erro de periodização. O que é isso? Trata-se do desequilíbrio entre a carga aguda (aquela que aconteceu nos últimos 7 dias) com a carga crônica (das últimas 4 semanas anteriores a carga aguda). Uma introdução abrupta de cargas agudas grandes pode gerar um desequilíbrio e deixar o atleta predisposto a lesões. Estudos sugerem aumentos, de no máximo 10% sobre a carga da semana anterior, no caso do pedal, a carga seriam as distâncias percorridas e a intensidade.


Em relação as principais queixas dos praticantes, estão:


Dor Lombar

De longe é a queixa mais frequente de lesões do ciclismo é dor lombar. As horas passadas com a coluna encurvada sobre o guidão, principalmente em bicicletas mal ajustadas, leva ao estresse de estruturas nobres da coluna vertebral como ligamentos, músculos e os discos intervertebrais.


Estudos biomecânicos demonstram que a pressão no disco chega a até 3x o peso corporal do indivíduo durante o pedal, predispondo a lesões comuns como protusões, hérnias e fissuras de disco, que, muitas vezes levam meses ou anos para a resolução e, em algumas vezes exigem tratamento cirúrgico. Além disso, ciclistas amadores muitas vezes passam boa parte do dia sentado no trabalho, o que aumenta ainda mais o risco para dor nas costas.


Muitas vezes os músculos da parte inferior das costas estão sobrecarregados, levando a mudanças de postura que podem afetar outras áreas, em particular, o músculo piriforme que começa na parte inferior das costas e se conecta a superfície superior do fêmur. A irritação aqui pode se apresentar como dor no quadril, ou dor irradiante na perna, pois o nervo ciático que vai da parte inferior das costas aos dedos dos pés pode ficar comprimido quando o piriforme é sobrecarregado.


Os principais fatores a serem levados em conta são:


· Posição na bicicleta: Como já dito, postura errada pode levar a sobrecarga. Para se prevenir disso, existem análises biomecânicas para o ajuste ideal da altura do quadro, guidão e selim para a altura e biotipo do ciclista.

· Força no core: Se seus músculos estabilizadores da bacia, pelve e abdome não são suficientemente fortes, sua parte inferior das costas cairá na bicicleta, causando tensão excessiva. Trabalhar o core também tornará seu desempenho mais efetivo, pois suas pernas empurrarão os pedais de uma base mais forte. Quais músculos especificamente precisamos trabalhar? Depende! Testes para mensurar a força, ativação e coordenação dos músculos devem ser feitos especificamente e individualmente.

Dor no joelho

A dor no joelho muitas vezes decorre de um problema de ciclagem. A dor anterior do joelho geralmente vem de um banco muito baixo e, portanto, com pressão excessiva na cartilagem da patela. Dor atrás do joelho ocorre normalmente quando o banco é muito alto, esticando e sobrecarregando os músculos posteriores da coxa, os isquiotibiais. Dores na parte de dentro ou de fora do joelho podem ser causadas por se pedalar com os joelhos muito para dentro ou para fora.

Dor no punho e mão


Dores nessas estruturas são comuns em ciclistas, principalmente quando um excesso de pressão é descarregado no guidão. Em uma situação ideal, cerca de 60% do peso corporal deve ser apoiado no selim (parte traseira da bicicleta), e 40% no guidão. Quando um excesso de peso é apoiado sobre o guidão, o ciclista pode desenvolver dor no punho e na mão. Isso acontece, por exemplo, quando se tem uma bicicleta muito grande em relação ao tamanho do ciclista.


PREVENÇÃO E TRATAMENTO

O SEGREDO: AJUSTE DA BICICLETA


O ajuste da bicicleta pode ajudar o ciclista em diversas situações:

• Melhora no desempenho, pelo fato do desenvolvimento da biomecânica;

• Provê maior conforto ao pedalar, tornando a atividade mais prazerosa;

• Ajuda na melhora de dores e lesões resultantes do pedal.

Qualquer pessoa que pedala regularmente pode se beneficiar dessas adaptações, seja ele(a) um atleta profissional, atleta amador ou alguém que usa a bicicleta para o lazer ou como meio de locomoção.

Não existe um critério ou método único. Fisioterapeutas com especialidade em biomecânica estão preparados para realizarem ajustes muito mais precisos, e isso pode fazer toda a diferença.

Uma pessoa que pedala apenas por lazer pode ter como objetivo apenas um maior conforto na bicicleta. Seu ajuste será totalmente diferente daquele feito para um atleta profissional na busca por um melhor desempenho. Entre os atletas competitivos, o ajuste pode mudar de prova para prova de acordo com as características da competição.

Em um ciclista recreativo, as condições físicas podem mudar consideravelmente com a prática, de forma que ajustes podem ser necessários de tempos em tempos.

Parte destes objetivos podem ser alcançados através de uma análise biomecânica por um profissional capacitado e proposta de adaptações ergonômicas que buscam fazer a geometria da bicicleta compatível com o ciclista, de forma a reduzir o risco de lesões e maximizar o desempenho. É importante ressaltar que se trata de um processo fluído e contínuo que deve basear-se num raciocínio clínico com reavaliações recorrente das respostas após uma alteração sugerida.


Sempre de extrema importância ter um bom equipamento e realizar os ajustes corretos da bicicleta ao ciclista, além da realização de trabalho de Fisioterapia preventiva e preparação física para iniciar na atividade esportiva.


Existem profissionais que realizam um trabalho especializado para adequar a bicicleta ao ciclista, que associado ao trabalho da equipe de saúde e preparação física é possível reduzir o índice de lesão de forma significativa e melhorar a performance do atleta.


Para mais informações, ajustes biomecânicos e das estruturas da bicicleta, entre em contato conosco.


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